O CRISPR
Olá a todos! Estamos de volta com mais uma reflexão, desta
vez decidimos falar um pouco de uma ferramenta revolucionária, que nos permite
alterar o código genético e os genes de um indivíduo, o CRISPR. Este consiste
em pequenas porções do DNA bacteriano compostas por repetições de nucleótidos.
Na luta contra os vírus maior parte das bactérias acaba por
não sobreviver, no entanto, quando sobrevivem salvam uma parte do DNA do vírus
no seu próprio código genético, num arquivo, o CRISPR. Quando o vírus ataca de
novo, a bactéria faz uma cópia de RNA do arquivo de DNA e desenvolve a proteína
Cas9, que serve como scâner do interior da bactéria de forma a identificar
sinais virais, comparando o DNA deste com a amostra prévia que detém no
arquivo. Quando encontra uma correspondência, corta o DNA viral, protegendo
assim a bactéria.
Quando os cientistas descobriram que este sistema de CRISPR
era programável, começaram a aplicá-lo em células vivas.
Este é um procedimento cada vez mais recorrente nos dias
atuais, já foi testado em variadíssimas espécies e os resultados são por vezes
surpreendentes, mas, como qualquer outra, esta ferramenta não é infalível, pode
atingir o resultado desejado (anular uma doença), mas pode produzir resultados
indesejados, como alterações no comportamento do indivíduo. Assim, é necessário
aprofundar este estudo para que ocorram o menor número de erros possíveis.
A utilização desta ferramenta gera muitas discussões,
principalmente ao nível ético, pois estamos a alterar aquilo que herdamos dos
nossos antecessores e da própria espécie humana. Assim, coloca-se a questão:
será que este procedimento é um atentado à nossa própria natureza?
Por um lado, a ambição humana será sempre um fator de risco
quando falamos nestes aspetos. Hoje a nossa intuição será inibir a atividade de
uma doença, mas amanhã já poderá ser “fabricar” o ser perfeito, com
inteligência inigualável, feições invejáveis e capacidades virtuosas, desde ser
capaz de voar, a respirar debaixo de água. Assim, a ferramenta deixará de servir
o propósito de nos dar uma condição de vida melhor, dentro da nossa natureza,
mas servirá como um meio para atingirmos aquilo que nos dá mais gozo. Por outro
lado, as cirurgias plásticas vão deixar de ser necessárias porque deixamos de
envelhecer.
Decidimos falar sobre este assunto, porque nos despertou
imensa curiosidade saber mais sobre o mesmo, uma vez que o abordamos brevemente
em aula. Convidamos-vos a ver este pequeno vídeo que explica muito bem aquilo
que poderemos vir a enfrentar daqui a uns anos.
Até uma próxima!
Bom dia
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