Reflexão sobre o Projeto de lei Parecer
Bem-vindos a mais uma reflexão dos vossos pensadores preferidos.
Hoje decidimos abordar um assunto discutido em sala de aula,
que diz respeito à extensão da transferência de embriões post mortem à transferência de gâmetas masculinos. Para esta
reflexão tivemos como apoio o Projeto lei Parecer.
Com a evolução da ciência, assistimos a métodos tecnológicos
cada vez mais inovadores que contribuem para um questionamento ético por parte
da sociedade.
A Procriação Medicamente Assistida (PMA) é um conjunto de
técnicas e tratamentos que visam obter uma gravidez em casais inférteis ou com
fertilidade reduzida. São exemplo deste método a Fertilização In Vitro e a Microinjeção
Intracitoplasmática de Espermatozoides. Estas técnicas representam uma nova
esperança para muitos casais.
Atualmente, a lei permite a transferência post mortem de um embrião, permitindo a
realização de um projeto parental claramente estabelecido por escrito antes do
falecimento do pai, mas não permite a inseminação do sémen do marido falecido
mesmo que haja um consentimento escrito. Por outro lado, este procedimento é aceitável
quando advindo de um dador, o que nos leva a questionar os seus princípios
éticos: será legítimo aceitar este procedimento quando não há uma relação estabelecida,
mas nega-lo quando o mesmo acontece?
Com o conhecimento atual sabemos que o embrião é um
organismo já formado, em oposição ao gâmeta, que é apenas uma célula. Ao
dispormos das ferramentas e do conhecimento para executar este procedimento,
resta saber se é eticamente correto fazê-lo. A nosso ver, se existe
consentimento de ambas as partes deve ser permitido realizar o seu desejo,
desde que os gâmetas se encontrem preservados.
Concluímos que a transferência de embriões post mortem deverá ser estendida à
transferência dos gâmetas, desde que haja consentimento.
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